terça-feira, 6 de abril de 2010

Urbanus 2 B58 de BH




Taí um Urbanus 2 B58 prefixo 5476 na linha troncal 8350! Tivemos um nº bom destes em BH. Na 9202, a antiga Expresso Radar atual Rodopass tinham alguns que foram remanejados para a extinta Coletivos Venda Nova, a São Gonçalo (pensou na linha 1126 vem um destes na cabeça), nas linhas 3301, 0010, 1149, dentre outras. Foram excelentes veículos que realmente deixaram muitas saudades! Infelizmente esses carros foram substituídos por 4 xícaras (OF1722 - que possui motor de 4 cilindros e 218cv) Hoje a 8350, apesar de ser uma linha troncal, não é tratada como tal. Tá rolando o que eu chamo de cabritificação máxima no transporte de BH! Sobra até pra linha troncal. Espero que com a copa do mundo transporte público se torne prioridade, afinal BH quer ser sede da abertura, logo precisará de um transporte eficiente e de qualidade, mas parece que nós mineiros estamos perdendo o bonde da história!

Mas pior do que a cabritização do transporte é o jeito que ele vem sido pensado em BH. O DER e a BHTRANStorno fazem aquilo que há de mais burro e ultrapassado em termos de planejamento de transporte: o planejamento pontual! É fácil entender porque eu era fã do sistema METROBEL (anterior a BHTRANS). Porque o planejamento englobava a região metropolitana. Hoje o DER cria linhas pra fazer concorrência com a BHTRANS (nem sei pra que eles fazem isso, já que a tarifa deles é mais cara.), além disso ambas fazem planejamentos distintos pro mesmo lugar sem o mínimo diálogo! ISSO É IDIOTA! ESTÚPIDO! RETARDADO! De quê adiantou criar estações do BHBUS se só pobre coitado do cidadão que mora na periferia da cidade tem que fazer baldeação pra ir pro serviço, pegando ônibus lotado do mesmo jeito, enquanto o cara da região metropolitana continua indo direto pro centro, muitas vezes indo lá pra pegar outro ônibus? Isso não é acessibilidade! De quê adianta ter cartão BHbus se você não pode aproveitar seus benefícios (meia passagem no segundo embarque em linha de itinerário distinto no intervalo de 1h30min) numa linha do DER. Diga-se de passagem é a coisa mais comum alguém que more na RMBH precisar de pegar dois ônibus: um do DER e outro da BHtrans! Além de pagar mais caro, não pode usufruir da meia passagem! De que adianta ter estações de ônibus na periferia e não haver nenhuma no centro? Ou seja, essa conversa fiada de que a BHtrans promove integração é uma mentira! Ou melhor, uma verdade torta, aleijada, deficiente, porque ela é parcial e muito a quem das necessidades da população! De que adianta reduzir o número de linhas que passam pelo centro se cada dia que passa ele fica mais engarrafado?

Pois bem, só existe um jeito de reduzir engarrafamento nas grandes metrópoles: investimento em transporte de massa! Ônibus, metrô, vlt. É preciso atacar o automóvel de todas as formas! A principal é torná-lo inviável. Como assim? A primeira tática é transformar o transporte público em algo viável. Se o transporte for de qualidade (bons veículos, vias exclusivas para ônibus, linhas bem estruturadas, quadro de horários generosos, passagens financeiramente viáveis, veículos acessíveis.) as pessoas tenderão a abandonar o carro, pois ele deixa de ser viável. Os gastos cada vez maiores com estacionamento, imposto, gasolina, tempo perdido no trânsito farão a maior parte do serviço de convencimento do povo para o planejador. Hoje, como comprar carro é algo muito simples, nem é preciso ter uma grana preta no bolso pra isso qual é a primeira coisa que o trabalhador pensa quando sobra uma graninha? Nunca mais andar de ônibus! Chega de sofrimento! Chega de humilhação! E ele está errado? Não, pois o transporte é demorado, ineficiente, os veículos andam cheios. Compensa andar de carro neste caso. Mas se todo mundo quiser ter um carro, não vai ter espaço pra todo mundo andar na cidade!

O segundo aspécto é destinar mais espaço pro transporte público e menos espaço pro carro. No início as pessoas vão chiar, mas em pouco tempo entenderão. É preciso oferecer mais espaço pros ônibus, o que implica tomar espaço dos carros. Logo haverá um aumento no engarrafamento de automóveis, mas aliviará o trânsito dos ônibus. Assim o transporte público tende a ser mais rápido, o que não compense o investimento em um automóvel.

O que vem ocorrendo em BH é o contrário. Linhas de baixa e média demanda vem sendo desvalorizadas. Linhas como a 9204, por exemplo, fazem só a metade do itinerário no domingo. A Bhtrans alega que linhas como a 9202 e a 8203 suprem a falta dela no domingo, mas se você parar pra pensar é um tanto quanto desanimador sair de casa sabendo que tem uma opção a menos de transporte. (Particularmente fui muito afetado com essa mudança porque antes eu andava do Jardim América ao Santa Efigênia pagando uma passagem só, hoje se eu quiser pagar apenas uma preciso andar 30 minutos a mais.) Sem falar que as pessoas inconscientemente deixam de contar com a linha nos dias úteis, afinal se já não pode contar com ela nos finais de semana é porque ela é completamente secundária! No entanto a BHtrans não percebe, ou finge que não vê, que a população dos bairros Jardim América, Estoril, Ventosa e Nova Suissa (bairros afetados) ao invés de protestar faz o óbvio: ou compra um carro ou uma moto, ou não sai de casa! Ai começa o ciclo da mediocridade: as linhas que são absurdamente cheias começam a perder demanda por falta de qualidade, então diminui-se o quadro de horários e ela volta a ser super lotada, logo o usuário sente-se desrespeitado, perde a paciência e quando ele consegue uma graninha, um financiamento camarada, ele compra um carro!

Em Curitiba se faz o contrário, abaixa-se a passagem nos domingos para que a população seja estimulada a sair. Isso fez com que a cidade nos domingos ganhasse mais vitalidade, o comércio foi favorecido e até o "carro de final se semana" só é utilizado pra carregar compras de supermercado mesmo, isso é, quando não mandam entregar em domicílio! Isso sim é estratégia! Quem não conhece BH fica espantado quando vê o tanto que a cidade é deserta no domingo! Quem anda sábado de madrugada em alguns pontos vê mais movimento que no domingo! Essa medida pra BH cairia muito bem!

Acho que o transporte em BH só vai ser decente a partir do momento que houver um órgão que pense e cuide do transporte da região metropolitana como um todo. Ou seja, acabar com o gerenciamento da BHtrans, da transcon, etc, e pensar o transporte de maneira integrada! Porque não ter estações em Contagem, Ibirité, Betim, Vespaziano, Santa Luzia, Nova Lima, Lagoa Santa, Sabará, e tantos outros lugares interligadas entre si e ao Barreiro, Venda Nova, ao centro de BH? Porque não ter um circular Noroeste BH x Contagem, Circular Vespaziano x Sede Administrativa do Estado, troncais Justinópolis x Cidade Industrial, Terminal A x Terminal B, Estação X x Estação Y, enfim, linhas de integração formando uma grande teia que beneficiem tanto ao morador de BH (pólo metropolitano) quanto o da região metropolitana. Porque o morador do Bairro Maria Helena que mora na rua de cima em Neves tem que se deslocar pra parte do bairro em BH para não pagar uma tarifa mais cara que o vizinho de BH do mesmo bairro pra se deslocar pro centro? Isso é injusto e não operacional!

Enquanto os órgãos de transporte pensarem pontualmente, desconexos entre si continuaremos tendo duas linhas como 4405, uma do DER, a outra da Bhtrans. Já a questão da numeração, outra hora faço um testamento sobre isso, pq tá engasgado até hoje!

Um grande abraço!

2 comentários:

  1. Pessoal, sou um aprendiz de busólogo... hahahaa
    Queria tirar uma dúvida cruel... O que seriam as odiadas "cabritas"??

    Vlws!!

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  2. A resposta demora, mas um dia chega:
    Cabrito = motor dianteiro. = caixotão na entrada!

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